Eixos temáticos

1. Educação e construção de conhecimento na Extensão Rural

Este eixo convoca trabalhos orientados à análise da extensão rural como prática educativa e como processo de construção social do conhecimento. Propõe-se refletir sobre como os saberes são gerados, articulados e validados em contextos de transformação produtiva, tecnológica e organizacional.

Esperam-se contribuições que abordem:

  • A extensão como prática educativa situada, vinculada às realidades territoriais e aos diferentes sujeitos do meio rural.

  • Processos de diálogo, intercâmbio e articulação entre saberes técnicos, acadêmicos e locais.

  • Metodologias participativas, pesquisa-ação e estratégias de co-construção de conhecimentos.

  • Comunicação rural como dimensão estratégica para o aprendizado coletivo e a tomada de decisões.

  • Enfoques e modelos de extensão, incluindo análise das tensões e/ou complementaridades entre diferentes perspectivas.

  • Formação e atualização de extensionistas frente a novos cenários produtivos, ambientais e tecnológicos.

2. Políticas e estratégias públicas, privadas e não governamentais da Extensão Rural

Neste eixo, propõe-se analisar o papel da extensão rural no desenho e implementação de políticas, programas e estratégias impulsionadas pelo Estado, setor privado e organizações da sociedade civil, em um contexto de transformações institucionais, restrições orçamentárias e redefinição de prioridades no desenvolvimento rural.

Convidam-se trabalhos que examinem:

  • Desenho, implementação, acompanhamento e avaliação de políticas e programas de extensão e desenvolvimento rural.

  • Articulação entre diferentes níveis do Estado (nacional, estadual e local) e entre órgãos públicos, instituições científicas, empresas, cooperativas e organizações sociais.

  • Estratégias institucionais para ampliar o acesso a assistência técnica, financiamento e capacitação.

  • Papel de organizações de produtores, cooperativas, associações civis e redes territoriais na definição e execução de ações de extensão.

  • Fortalecimento de capacidades coletivas para defesa de interesses comuns e cumprimento de direitos, incluindo direitos à terra e ao território.

  • Modalidades de gestão, financiamento e sustentabilidade dos sistemas de extensão.

  • Transformações organizacionais e redefinições de funções em organismos de extensão na Argentina e na América Latina.

3. Sujeitos sociais, interculturalidade, gênero e juventudes

Este eixo coloca no centro os diferentes sujeitos que habitam e constroem os territórios rurais, reconhecendo que os processos de extensão se desenvolvem em contextos atravessados por desigualdades sociais, econômicas, culturais e territoriais. Propõe-se analisar como essas diferenças impactam o acesso a recursos, conhecimentos, tecnologias e espaços de decisão.

Convidam-se trabalhos que examinem:

  • Interculturalidade e diversidade cultural nos territórios rurais, incluindo experiências com povos originários e reconhecimento de diferentes formas de organização, produção e relação com o entorno.

  • Relações de gênero na atividade produtiva, no trabalho doméstico e de cuidado, e na participação em organizações e espaços de decisão.

  • Juventudes rurais: processos de permanência e migração, estratégias de inserção produtiva, acesso à terra e continuidade geracional.

  • Condições de participação de mulheres e jovens em programas e dispositivos de extensão.

  • Desigualdades estruturais que afetam pequenos produtores, trabalhadores rurais e outros atores do meio rural.

4. Processos de inovação e Extensão Rural

Este eixo convoca trabalhos voltados à análise de processos de inovação no meio rural e do papel da extensão rural em sua promoção, acompanhamento e consolidação. Esperam-se contribuições sobre inovação em sentido amplo, incluindo dimensões tecnológicas, produtivas, organizacionais, comerciais, institucionais e sociais, considerando as particularidades dos diferentes territórios e sistemas produtivos.

Incluem-se trabalhos sobre:

  • Análise de processos de inovação tecnológica em diferentes contextos produtivos e sociais.

  • Metodologias e ferramentas de extensão para facilitar processos de inovação.

  • Avaliação de impactos econômicos, sociais e ambientais das inovações.

  • Fatores que condicionam ou dificultam processos de inovação em contextos rurais.

5. Extensão Rural para a sustentabilidade dos sistemas agroalimentares

Este eixo convoca trabalhos que analisem o papel da extensão rural nos processos de transição para sistemas agroalimentares mais sustentáveis. Busca integrar experiências, pesquisas e reflexões que mostrem como a extensão, a partir de diferentes enfoques, contribui para transformar as formas de produzir, comercializar e consumir alimentos.

Esperam-se contribuições que reflitam a diversidade de perspectivas e estratégias voltadas à sustentabilidade, como agroecologia, agricultura regenerativa, biodinâmica, permacultura, intensificação ecológica, entre outras. Também se convidam contribuições sobre agricultura urbana e periurbana, destacando o papel da extensão na articulação entre produção, território e abastecimento alimentar.

Incluem-se contribuições sobre:

  • Processos de transição sociotécnica para sistemas agroalimentares mais sustentáveis, em diferentes escalas e contextos produtivos.

  • Escalonamento territorial de práticas e estilos de produção em transição para a sustentabilidade.

  • Sistemas Participativos de Garantia e outros mecanismos de validação e certificação.

  • Mercados locais, circuitos curtos de comercialização, economia social e agregação de valor na origem.

  • Soberania e segurança alimentar, acesso a alimentos saudáveis e culturalmente apropriados, e fortalecimento de produções locais.

6. Tecnologias da informação e inteligência artificial na Extensão Rural

As novas tecnologias da informação estão transformando práticas produtivas, organizacionais e de extensão rural, gerando novas oportunidades, mas também novas desigualdades e desafios. Este eixo propõe analisar os impactos dessas ferramentas nos territórios rurais, evitando abordagens exclusivamente tecnocráticas.

Incluem-se trabalhos sobre:

  • Desigualdades digitais e diferenças no acesso a tecnologias, conectividade e recursos digitais em diferentes territórios e entre diferentes atores rurais.

  • Inteligência artificial aplicada à agricultura e aos processos de extensão, incluindo implementação, limitações e impactos potenciais.

  • Tecnologia digital aplicada à agricultura (AgTech), plataformas informáticas, seu papel na otimização de decisões e redes de conhecimento rural.

  • Processos de aprendizado e acompanhamento de produtores na adoção de novas tecnologias, bem como estratégias para maximizar sua utilidade e sustentabilidade.